sábado, 11 de junho de 2011

Entrevista - Douglas Amorim - Programa 30 minutos - REDE MINAS

Olá, amigos (as). Fui convidado a particpiar do programa 30 minutos, da Rede Minas, como o apresentador e deputado federal, Lincoln Portela. Ótimo programa, sobretudo, pela qualidade do entrevistador e, também, da participação do público. O tema foi: Uso de drogas e consequências pessoais e sociais. A entrevista está disponível nos seguintes links:

http://www.youtube.com/watch?v=tzIt4kAQ2GM

http://www.youtube.com/watch?v=G_d0W6mMbm0


Um abraço fraterno,

Douglas Amorim

Entrevista - Douglas Amorim - Programa Hoje em Dia - REDE RECORD

Olá, amigos (as). Fui convidado a participar do programa Hoje em Dia, da TV RECORD, aqui de Belo Horizonte. O tema foi: Violência contra a mulher e características dos agressores. O vídeo está disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=UI0Ld7QqibY

Um abraço fraterno,

Douglas Amorim

domingo, 22 de maio de 2011

Entrevista - TV RECORD - Separação de pais e repercussão nos filhos



Amigos (as), se quiserem assistir minha entrevista, na TV RECORD, sobre separação dos pais e repercussão nos filhos, basta acessar o link abaixo:


http://www.youtube.com/watch?v=X4eqojq0q20



Um abraço fraterno,
Douglas Amorim

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Entrevista Douglas Amorim na TV - 05/04

Olá, amigos (as)! Terça (05/04), Canal BH News (09 da net), trataremos sobre Transtorno Bipolar. Transmissão em tempo real: www.bhnews.tv.br. Esperamos vocês!

Um abraço fraterno,

Douglas Amorim

domingo, 27 de março de 2011

Sobre entrevista para a CBN

Nesse sábado, tive, mais uma vez, a alegria de colaborar com a equipe da CBN. Marcelo Guedes e Fabiana Arreguy conduziram o programa de forma sensacional. Um abraço, também, para os estudantes da PUC-MINAS, futuro do jornalismo brasileiro. Tratamos sobre redes sociais e contemporaneidade. Em breve, disponibilizarei o link.

Um abraço fraterno,

Douglas Amorim

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Entevista na Band - Segunda-feira 17/01/11 - 14 horas

Olá amigos (as) visitantes. Fui convidado, gentilmente, pela equipe do programa Tudo de Bom, da TV Bandeirantes - Minas Gerais, para participar do mesmo. O tema será "Dificuldade que as pessoas tem em dizer NÃO". Sintam-se, pois, todos (as) convidados (as) a nos prestigiar!

Um abraço fraterno,

Douglas Amorim

Dizer ou não dizer NÃO: Eis a questão!

Como é de meu costume, escrever artigos, tratando dos temas abordados pelos programas de TV e rádio, dos quais participo, dessa vez, convido você, amigo (a) visitante, a mais uma leitura. Fui convidado, gentilmente, pela equipe do programa TUDO DE BOM, da TV Bandeirantes, de Belo Horizonte, e, o tema do referido programa é “ O MEDO DE DIZER NÃO”. Espero que a leitura possa colaborar, de alguma forma, para seu enriquecimento. Ao longo dos anos, em minha prática de consultório, assim como de minha equipe, digo que essa, é uma temática recorrente nos atendimentos. Uma das mais recentes foi uma paciente, já idosa, que, de repente, recebe a visita surpresa de sua irmã. Até aí, tudo bem, se não fosse um pequeno detalhe. Ela vinha com um cachorro da raça Labrador (e sabemos que não é um cachorro pequeno) à tira colo, dizendo que estava saindo de viagem, naquele momento, e que deixaria o cão ali, porque não tinha com quem deixá-lo. O que mais me espantou é que não foi um pedido: foi um COMUNICADO. Resultado: minha paciente, que não gosta de cachorros, permaneceu com o mesmo por quinze dias, às custas de um esforço mental e físico descomunal. Foi uma tortura que vocês nem queiram imaginar. Pois bem. Esse foi apenas um exemplo, uma “gota num oceano” do que já ouvi centenas de vezes, em meu exercício profissional. Ao meu ver, as pessoas tem dificuldades em dizer não, para o outro, no final das contas, pelos medoS de dizer o que pensa e o que sente. Grifei a palavra medo, propositalmente no plural, porque, basicamente, se constatam vários:

- Medo de dizer não para alguém, e, algum dia, você precisar daquela pessoa e ela lhe negar auxílio;

- Medo de que essa pessoa não goste mais de você e se afaste de seu convívio ou passe a lhe tratar mal;

- Medo da pessoa espalhar, para muita gente, o fato de você ser uma pessoa egoísta e que não se presta a ajudar pessoas em dificuldade;

- Medo do julgamento que os outros farão ao seu respeito.


Estas descrições, acima, explicitam as relações entre adultos. No entanto, é preciso frisar, também, a questão do medo de dizer não, por parte dos pais, aos seus filhos:


- Sensação de culpa em não atender aos desejos de pessoas, que os pais julgam, serem mais frágeis e indefesas;

- Medo de não prover os desejos dos filhos e estes ficarem com algum tipo de seqüela psicológica;

- Uma sensação que não é muito bem a de medo, mas está ancorada no seguinte raciocínio: “se eu não tive determinada coisa, na infância, e agora, tenho condições de fazê-lo, para meu filho, eu quero e devo fazer”;

- Por fim, uma situação que não é de medo, especificamente, também, mas que se dá pela exaustão após a intensa insistência por parte do filho.



Ainda falando um pouco, sobre as crianças, é sabido que, até bem pouco tempo, elas eram tratadas com desrespeito, crueldade e castigos brutos. Com o passar dos anos, a partir, principalmente, dos avanços dos métodos de ensino e educação, tais tratamentos foram revistos e elas passaram a ser cuidadas com respeito, carinho e cuidado. No entanto, passou-se, ao que tudo indica, de um extremo para outro. Extremo de proteção, tolerância e atendimentos, em excesso, de seus desejos. A conseqüência, que assistimos atualmente, é uma geração de crianças mimadas, melindrosas, violentas e sem limites. Há de se pensar, portanto, que uma determinada dose de privação dos desejos dos pequenos, faz com eles entendam que, na vida, existem limites que não podem ser desrespeitados. Inclusive, porque, quando se tornarem adultos, perceberão que, a todo momento, a vida impõe limites nas esferas sociais, profissionais, financeiras, afetivas, entre outras. E, se a criança aprende a entender a noção de limites, desde cedo, certamente será um adulto melhor adaptado para a vida. Por isso, dizer não, oportunamente, nesta fase da vida, é tão fundamental.



Voltemos agora à situação com adultos. Quantas vezes você já sentiu raiva de si mesmo, sentiu-se burro (a), idiota, por ter sido prestativo em atender um desejo alheio, que você, nem de longe, queria? Quantas vezes você já percebeu que, pessoas muito prestativas, sempre são cercadas por um bando de “sanguessugas”? E mais. Digamos que exista o dia que você proclame a sua “independência psicológica”. Isso, quase sempre conseguido, em trabalho de psicoterapia, gera um novo problema: para as pessoas que você sempre foi prestativo (a), (entenda-se, servil), você é execrado (a) e, quase sempre, tudo que você fizera, até aquele dia, perdera o valor, quase instantaneamente, em virtude de sua negativa atual. No entanto, não se preocupe. Se você mantiver essa conduta, de agora em diante, a relação com essa pessoa se reorganiza de uma nova forma e, muito provavelmente, ela procurará outro (a) para explorar.



Bem, diante de tudo o que discutimos, como agir? Em primeiro lugar, é preciso entender que, DIZER NÃO, tornou-se uma espécie de tabu em nossa cultura, quase um pecado. Digo isso, porque, por experiência própria, em outras culturas, como por exemplo, a norte-americana, esse é um procedimento absolutamente normal e bem assimilado entre as pessoas. Ocorre que, quando estamos diante do nosso (a) (a) ouvinte e lhe falamos NÃO, ele (a) interpreta isso como não natural e, quem sabe, até ofensivo. Assim, a partir do que discutimos, neste breve texto, é necessário que adquiramos essa sabedoria de saber que quase sempre, nosso ouvinte não está preparado para a resposta negativa. Portanto, devemos saber colocar as nossas palavras de forma suave e natural mostrando que ele não é seu inimigo, mas que, tão somente, não lhe é possível e/ou desejável, atender à sua demanda. Quanto mais cada um de nós, passar a imagem da NATURALIDADE em se dizer não, é que, aos poucos, penso que conseguiremos modificar a cultura neste aspecto. Agora é com você: Dizer ou não dizer não, eis a questão!

Um abraço fraterno,


Douglas Amorim

terça-feira, 6 de abril de 2010

Breves Considerações sobre Bullying

Na última semana, estive dando uma entrevista, na Rádio CBN, de Belo Horizonte. O tema foi Bullying. Temos escutado, com certa freqüência, vários órgãos de imprensa falando, a todo momento, sobre este termo. Mas, o que vem a ser Bullying? Essa palavra serve para descrever atos de violência física ou psicológica, que são intencionais e repetitivos, de uma pessoa (ou grupo de pessoas), contra um indivíduo (ou grupo de indivíduos). O objetivo é de intimidação e sempre, é perceptível a diferença de força entre as partes conflitantes. Ou seja, um é, notoriamente incapaz, perante ao outro. O Bullying na verdade não é uma novidade. Penso que sua ampla divulgação se dê em decorrência das questões que envolvem a violência, estarem, de uma maneira geral, cada vez mais, presentes na grande mídia. Um dos locais onde se deflagra essa prática constante é o ambiente escolar. Podemos perceber o Bullying direto (no qual são praticadas as agressões físicas) e o Bullying indireto (mais voltados para a questão de intimidação psicológica). Nesta última modalidade pode-se perceber os comentários negativos que são espalhados acerca de determinada pessoa (modo dela se vestir, etnia, religião, incapacidades físicas etc.), recusa por parte da pessoa (ou grupo) em se socializar com um indivíduo e, até mesmo, intimidação de pessoas que queiram se socializar com essa vítima. Não raro, encontramos, até mesmo, o Cyber Bullying, no qual é criado um perfil falso de determinada pessoa, em sites de relacionamento, propagando inverdades e humilhações sobre alguém. Encontra-se essa última prática com mais freqüência em adolescentes. As conseqüências do Bullying podem tornar-se devastadoras para ambos os lados.

Para a vítima:

- Desinteresse pelos estudos;

- Dificuldade de concentração e de manter a atenção;

- Queda no rendimento escolar;

- Baixa auto-estima;

- Repetidas faltas à escola (absenteísmo);

- Estresse;

- Queixas psicossomáticas;

- Depressão;

- Suicídio.

Para o agressor:

- Pode vir a tornar-se um adulto violento;

- Pode vir a cometer crimes como, até mesmo, violência doméstica;

- Pode ter problemas de adaptação em situações de trabalho;

- Pode apresentar baixa tolerância à frustração, não respeitando regras de maneira geral.



No ano de 2.009, testemunhamos dezenas de crimes, nos Estados Unidos, nos quais estudantes entravam armados em salas de aula e abriam fogo contra outros alunos. Sabe-se que, muitos desses atiradores eram, na verdade, vítimas freqüentes de Bullying que, num determinado dia, decidiram se vingar.

Causas do Bullying:

Antes de mais nada, é preciso considerar que todos os seres humanos tem uma determinada cota de agressividade na formação de sua personalidade. Uns mais, outros menos. Estudos evidenciam que, frequentemente, crianças e adolescentes praticantes de Bullying foram (ou são), crianças sobre as quais os pais não impõem limite por medo, dificuldade ou falta de conhecimento. Com isso, a falta de limite, associada comumente a um ambiente psicologicamente nocivo, pode contribuir para o surgimento de comportamentos dessa natureza. Em outros casos, ainda, verifica-se a presença de violências física e/ou psicológica entre os pais e dos pais contra a criança. Nesta direção, ocorre uma tendência da criança perceber e assimilar tais comportamentos, repetindo-os na sociedade.

Medidas contra a prática do Bullying:

Por parte da escola:

- Melhorar o preparo dos professores, ensinando os mesmos a intervirem de forma adequada na resolução dos conflitos entre os estudantes;

- Elaborar projetos que busquem a cooperação entre os alunos, ao invés de incentivar disputas ferrenhas;

- Criar grupos de alunos mais solidários, que busquem auxiliar os outros estudantes que tem dificuldades de relacionamento (estes últimos são, frequentemente, vítimas de Bullying).



Por parte da família:

- Tentar colocar limites na criança ao se perceber comportamentos agressivos da mesma;

- Colocar limites de maneira firme, porém, não violenta;

- Explicar o porquê do limite estar sendo colocado desta forma sobre determinado aspecto;

- Procurar ajuda profissional caso percebam que não estão dando conta de colocar estes limites;

- Estar em sintonia com a escola, buscando informações sobre o comportamento dos filhos.
Este artigo é, na verdade, um resumo sobre a entrevista que concedi na Rádio CBN. Caso você deseje ouvi-la, basta acessar minha página no: WWW.DOUGLASAMORIM.COM.BR e clicar no link "Entrevistas - áudio e vídeo".
Um abraço fraterno,
Douglas Amorim

terça-feira, 30 de março de 2010

Entrevista hoje - 30/03 - na Rádio CBN

Olá, amigos (as) visitantes! Mais uma vez, fui gentilmente convidado pela Rádio CBN, de Belo Horizonte, para uma entrevista. A mesma será realizada às 10:30 da manhã desta terça-feira (30/03/10), e o tema será BULLYING. A sintonia é no FM 106,1, e o site é: http://www.radiocbn.com.br/
Espero por vocês lá!
Um abraço fraterno,
Douglas Amorim
Ps: Em breve, disponibilizarei a entrevista no: http://www.douglasamorim.com.br/

sexta-feira, 26 de março de 2010

Psicologia VERSUS Psiquiatria? A quem eu devo procurar?

Frequentemente as pessoas me perguntam, seja pessoalmente, por telefone, ou no próprio consultório, a diferença entre Psicologia e Psiquiatria. Normalmente a confusão se dá entre quando procurar um ou outro profissional. O que irei tentar proporcionar agora é uma explicação simples, mas que creio ser útil para ajudar nessa questão. Em primeiro lugar é preciso que uma coisa fique muito clara. A grande maioria das pessoas procura algum profissional da área "Psi", quando alguma coisa não vai bem em sua vida. Essa "coisa que não vai bem", geralmente está ligada a dois eixos básicos que norteiam a vida do ser humano. São eles:
- Eixo Afeto: em todas as suas extensões, refere-se à relação que temos com as outras pessoas, animais, coisas e conosco. Pai, mãe, filhos (as), irmãos (as), marido, esposa, namorado, namorada, amigos (as), bichos de estimação, objetos com significados especiais, entre outros.
- Eixo Trabalho: em todas as suas extensões, refere-se a emprego, trabalho (lembrando que emprego e trabalho não são a mesma coisa), negócios, dinheiro, estudo, cursos, carreira, bens materiais.
Pois bem. Os conflitos nascem geralmente a partir do que acabei de descrever. O que ocorre é que, quando uma pessoa não lida bem com algum ou alguns dos eixos acima, surgem as perturbações emocionais. No meu modo de entender, o que define o profissional mais adequado a ser procurado é exatamente o grau destas perturbações e o quanto elas interferem na vida de um indivíduo. Sabemos, mais do que nunca que, corpo e mente estão intimamente interligados e um interfere, diretamente, no outro. Nesta perspectiva, sou adepto de, antes de se procurar um profissional de Psiquiatria, que se consulte, antes, um da área de Psicologia. O motivo é muito simples. Em um número considerável de vezes, é possível construir, em um processo de psicoterapia, "ferramentas" para auxiliar o paciente a lidar de maneira mais saudável com os conflitos que o fizeram buscar ajuda, sem a necessidade de medicação. Entretanto, em outro número de vezes, o Psicólogo não consegue fazer o trabalho sozinho e torna-se imperioso, o encaminhamento de um paciente, para o profissional de Psiquiatria (sobretudo quando os sintomas trazem um acentuado prejuízo à vida do indivíduo). Lembra-se do que eu acabei de falar sobre mente e corpo interligados? Pois é. Acontece que, quando o nível de aodecimento emocional torna-se severo, o corpo acaba adoecendo junto. E, já parou pra pensar em mente doente e corpo doente? Por isso mesmo, nessas vezes, o trabalho do Psiquiatra se torna fundamental. As medicações utilizadas - na maioria das vezes, antidepressivos, ansiolíticos e estabilizadores de humor - vão colaborar, sensivelmente, na melhora dos sintomas físicos dos pacientes (que podem ser diversos), e, também, na questão do ânimo, do humor, da energia vital. Frequentemente, é preciso que nós, Psicólogos, encaminhemos os pacientes para um trabalho conjunto com o Psiquiatra. Inlusive porque, dependendo do grau de acometimento que o paciente apresentar, ele não tem o mínimo de equilíbrio para aproveitar-se do trabalho de psicoterapia. Por entender que, ocasionalmente, seja necessário este trabalho em conjunto, é que convido você, amigo (a) leitor (a), a entender que a questão não é Psicologia VERSUS Psiquiatria. Nem de longe deve ser preferido um, em detrimento do outro, por ser melhor ou pior. São apenas ciências diferentes, que tem uma contribuição enorme na melhoria da qualidade de vida das pessoas e que devem ser utilizadas, exclusivamente, quando houver indicação técnica para tal.
Um abraço fraterno,
Douglas Amorim

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Curso Superior é o mais adequado?

Ontem, estava realizando uma entrevista com uma profissional (estou buscando uma psicóloga para fazer parte de minha equipe), quando fui, delicadamente, interpelado pela mesma: "você não está mais escrevendo no blog! Desde 2009"! Ela está certa. Simpaticamente certa, diga-se de passagem. Peço desculpas aos leitores, mas, realmente, os últimos meses foram muito difíceis. Excesso de casos, aqui no consultório, e casos, muitas vezes, complexos. Aproveitando o ensejo, uma vez que estamos falando sobre contratação de pessoas, gostaria de chamar a atenção para algo que tenho observado no mercado de trabalho e que não sei, honestamente, se a maior parte das pessoas está atenta para tal fato. Sempre escutamos, desde pequenos, mãe, pai, avós, tio, papagaio etc, falando que as pessoas crescem na vida através da via do estudo. Até aí, tudo bem, apesar de sabermos que existem, sim, exceções (Sílvio Santos é um bom exemplo de pessoa bem sucedida, sem estudos - recomendo a leitura de sua biografia). Voltando ao que disse que tenho observado: a procura por cursos superiores tem aumentado cada vez mais. Sobretudo, com algumas facilidades de crédito que o governo tem proporcionado para os estudantes. Se a procura por cursos superiores não tivesse aumentado tanto, não veríamos, infelizmente, uma faculdade "em cada esquina" e, muitas vezes, de qualidade altamente questionável, com mensalidades muito atraentes. Com isso, a pessoa entra no curso superior e cria uma expectativa de um futuro melhor. Até aí, tudo bem. Mas, o que temos assistido é uma legião de advogados, psicólogos, economistas, fonoaudiólogos, pedagogos, administradores, contadores, dentistas, e arquitetos, entre tantos outros, trabalhando como auxliares de escritórios, secretárias, taxistas, vendedores (sem querer desmerecer estas importantes profissões), mas que, na realidade, não requerem um curso superior para a execução de suas funções. Com isso, a pessoa que ficou, no mínimo quatro anos em uma universidade, acaba frustrada, pois, o mercado atualmente está inchado de profissionais de nível superior. Ou seja, a pessoa se torna meramente um funcionário "de luxo" para o patrão, com um excesso de qualificação que, frequentemente, acaba não proporcionando melhor remuneração. O ponto em que quero chegar é o seguinte: a escolha do que se vai estudar é muito importante. É necessário que se faça um planejamento, objetivando aonde realmente se deseja chegar. Do contrário, corre-se o risco de ter-se uma diploma que, em virtude de um mercado saturado, possa não servir lá para grandes coisas. Se tiver sido conquistado via financiamento educacional, piorou. Tem-se uma dívida que demora para ser quitada. Não sou contra o curso superior, muito pelo contrário. Mas ocorre que, muita gente está "míope" para algo que se apresenta bastante promissor na atualidade. É a volta dos cursos técnicos que, de uns tempos para cá, também são conhecidos como cursos que formam técnologos. Alguns deles, até mesmo são reconhecidos pelo MEC como cursos superiores. Um exemplo: tecnólogo superior em telecomunicações. Com o avanço da economia brasileira, existe uma demanda cada vez maior, na atualidade, por esses profissionais: técnólogos em telecomunicações, em gestão ambiental, em radiologia, em gestão hospitalar, e, em mineração, são apenas alguns exemplos. Com duração média de dois anos, estes cursos tem se apresentado como uma boa opção de inserção mais rápida no mercado e, de certa forma, mais "garantida", visto que a procura por estes profissionais está aumentando. Pode até parecer estranho o fato de um psicólogo que trabalha exclusivamente na área clínica, tecer considerações acerca de estudos e mercado de trabalho. No entanto, cumpre dizer que o consultório é um lugar que me ensina muito. Pessoas de todas as áreas, com todo o tipo de visão de mundo e de conhecimentos, me ensinam, diariamente, as mais variadas coisas. E, penso que é até mesmo uma obrigação minha, o fato de dividir com você, amigo (a) leitor (a), de alguma forma, esses ensinamentos que recebo. Ainda continuo adepto às idéias de nossos pais e avós, com relação à questão do estudo. No entanto, preste atenção ao quê estudar, quando, em qual instituição e com quais objetivos. O mundo profissional é cada vez mais exigente e seletivo; e, errar por falta de planejamento, pode, às vezes, ser muito difícil de se reverter.
Um abraço fraterno,
Douglas Amorim

domingo, 6 de setembro de 2009

Mente doente, corpo doente

Creio que, apesar de óbvio, poucas pessoas parem para pensar na afirmação que se segue: a nossa relação com o planeta Terra é mediada por duas instâncias, intituladas corpo e mente. Só isso. Não tem mais nada (obviamente não estou entrando, aqui, em questões espirituais, porque, tal discussão fugiria da proposta do tema). Se, portanto, além de espírito (como queiram alguns), só nos resta a MENTE e o CORPO, por consequência, concluímos que, nestas duas instâncias e, tão somente nelas, poderemos realizar diagnósticos científicos de adoecimento. Acontece que, de um bom tempo para cá, uma área da Psicologia denominada Psicossomática, vem demonstrando como o adoecimento psíquico se manifesta em nosso corpo. É algo difícil de se acreditar, ainda mais em nossa sociedade cartesiana aonde tudo tem de ser "pesado", "medido", "quantificado". Como se quantificam as emoções? Um quilo de tristeza? Um metro de cíúmes? Um litro de mágoa? É; não tem jeito. Emoções são coisas que a gente não toca. Entretanto, elas tocam o corpo (e como), e, quando não temos lá muita habilidade para lidar com determinados sentimentos, começam a aparecer umas "coisas engraçadas". Vou citar apenas algumas delas, porque a lista, infelizmente, é interminável... Úlceras, gastrites, prisões de ventre, diarréias, cefaléias, dermatites, queda de cabelos, dores musculares e em articulações, paralisias de membros, insônia ou excesso de sono, aumento excessivo de peso, baixa de imunidade e uma infinidade de outras moléstias. Geralmente, essas pessoas acabam, por encaminhamento dos médicos, parando em consultórios de Psicologia. Alguns profissionais da Medicina investigam, "viram o paciente de cabeça para baixo" e não encontram nada. Nada material. Sobra o emocional, que precisa ser cuidado. E, em outras vezes, encontram sim, lesões, como, por exemplo, uma úlcera. É, realmente, muito interessante - Algo que não é concreto - emoções - caso não sejam vivenciadas de forma saudável, geram lesões no concreto - corpo - . Fica aí uma dica para o (a) amigo (a) leitor (a). Tente cuidar bem de sua mente e de seu corpo. As duas instâncias andam de mãos dadas o tempo todo. Mente doente, adoece o corpo. O inverso também é verdadeiro. E, se não tentarmos cuidar melhor desses dois componentes que fazem nosso elo existencial com o mundo, então, estaremos nos condenando ao adoecimento crônico e martirizante. Afinal de contas, são as únicas instâncias nas quais é possível que os sintomas se manifestem. E, não se esqueça que, se estamos falando de sintomas, estamos falando de doenças, certo?
Um abraço fraterno,
Douglas Amorim

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Eu TENHO QUE o quê mesmo?

Resolvi escrever, hoje, sobre uma expressão que usamos quase que diariamente. É o famoso “Eu tenho que”. Eu tenho que isso, tenho que aquilo, tenho que fazer aquilo outro. A lista é interminável. Cheguei a me perguntar de onde veio essa expressão, mas, confesso, não parei pra pesquisar. Penso que deva ter alguma coisa relacionada com tantas e tantas obrigações que o ser humano foi adquirindo ao longo de sua existência. E, o mais curioso de tudo, para mim, é que essa pequena expressão tomou conta do vocabulário cotidiano de tal forma, que a utilizamos mesmo quando a inexistência de obrigação se faz nítida. Por exemplo: eu tenho que ir à casa de um amigo; eu tenho que lavar o carro; alguns chegam, até mesmo, ao ponto de dizer: eu tenho que ir a um aniversário hoje. Puxa, será que ir à casa de um amigo, ou deixar o carro limpinho para um passeio ou, pasme, amigo (a) leitor, ir a uma festa de aniversário, transformou-se em obrigação? Veja bem: já parou pra perceber que, quanto mais falamos eu tenho que, menos falamos eu quero, eu desejo, eu escolho? Outra situação: você era amigo (a) de uma pessoa e, por algo muito grave que ela fez, você resolve romper a amizade. Depois de um tempo você acha que tem que retomar a relação. Tem mesmo? Porque? O perdão se torna uma obrigação? Se é obrigação, corre-se o risco de não ser de coração, porque onde tem obrigação, a possibilidade de escolha fica comprometida. Pode parecer que você esteja achando bobagem essa discussão gramatical. Mas, atente, porque, por detrás dela, se esconde algo muito perigoso. Estamos transformando situações de lazer ou, pior ainda, situações em que temos total condição de escolher, em algo que é praticamente sem escolha. Ou seja, uma obrigação. Pensemos numa situação de diversão. Você foi convidado para uma festa de aniversário e não deseja ir. Imediatamente você pode pensar: eu tenho que ir a esse aniversário, senão... Será que você realmente tem que? Será que você não é uma pessoa livre para escolher e, caso não deseje ir, arcar com as conseqüências, sejam elas quais forem? Será que já não basta ter que acordar cedo, ter que trabalhar para sobreviver, ter que pagar contas, ter que se submeter, tantas vezes, a leis injustas por não ter opção? Portanto, é bom deixar o “eu tenho que”, realmente, para situações de obrigação. Que tal substituí-la pelo “eu quero”, “eu desejo”, “eu escolho”? Penso que, desta forma, deixamos de ser um pouco esses “robôs programados” para executar uma lista infindável de obrigações.

Um abraço fraterno,
Douglas Amorim

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Só o amor sustenta uma relação?

No texto de hoje, gostaria de discutir um pouco sobre a dificuldade que algumas pessoas têm em finalizar relacionamentos afetivos. A própria palavra “afetivos”, já indica, por si só, a complexidade da coisa. Afinal de contas, como terminar uma relação gostando da pessoa? Acontece que, culturalmente, muitas vezes, somos influenciados a acreditar que, caso exista amor, tudo está resolvido. Ledo engano. O amor é um ingrediente muito importante na relação; porém, está muito longe de ser o único. Escuto muitas pessoas dizerem acerca de seus sofrimentos, seja com um (a) namorado (a), marido ou esposa. Ama-se, porém, muitas divergências – às vezes severas – acabam por envenenar pouco a pouco algo que, outrora, parecia harmonioso. É claro que todas as pessoas têm suas peculiaridades, particularidades. Agora, é fato também, que, quando a conciliação dessas particularidades torna-se impossível, a relação precisa ser revista. Cada psicólogo, em seu trabalho diário, tem uma orientação clínica. A minha é a de prezar sempre pela conciliação, até o ponto em que a mesma seja Possível. É isso mesmo. Possível, com “P” maiúsculo. Digo isso porque, quando as divergências tornam-se insuportavelmente acirradas, mesmo havendo amor, existem apenas dois caminhos, no meu modo de entender: ou a relação permanece adoecida, quase sempre com um se subjugando em relação ao outro, ou então, a separação, o término. E, por incrível que pareça, é extremamente possível você amar uma pessoa e, por questões de divergências sérias, chegar à conclusão de que a permanência da relação tornou-se inviável. Não pretendo aqui fazer a apologia do “casa ou separa”. O que pretendo é chamar a atenção do leitor para situações que podem tornar-se simplesmente insolúveis. A partir de então, o que seria preferível? Adoecer pelo resto da vida ou tentar buscar outro caminho, mais saudável, livre e honesto? Repito: não estou fazendo a apologia do “casa ou separa”. Muito menos, entrando no terreno da religião do tipo “até que a morte os separe”. Apenas ofereço uma leitura feita pelo prisma da Psicologia, através do qual, já perdi as contas de quantas pessoas optaram por adoecer perpetuamente e outras tantas, apesar das dificuldades e sofrimentos, escolheram por arriscar a buscar a felicidade de outra forma. Lembre-se da música: “Cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz”.

Um abraço fraterno,

Douglas Amorim

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Repetições de comportamento

Ontem à noite, na companhia de agradáveis amigos, tive um lampejo para escrever um artigo. Desta vez, desejo falar, ainda que brevemente, sobre a repetição dos comportamentos das pessoas. Ao longo desses anos de clínica diária, no consultório, estou cada vez mais convencido do que o próprio Freud* já havia falado. As pessoas têm uma tendência muito forte de repetir comportamentos. A grande dificuldade em sair desse ciclo de repetições depende da capacidade de cada um fazer o quê, em Psicologia, chamamos de elaborar. Em linhas gerais, elaborar significa fazer uma revisão interna de pensamentos, sentimentos e condutas, identificar em quais pontos está sendo falho, incompetente ou, mesmo, doente, estabelecer a auto-crítica e fazer um acordo consigo mesmo para mudar. A tarefa não é fácil; o convite à repetição é quase irresistível, ainda que, na maioria das vezes, seja inconsciente. Às vezes escuto uma pessoa dizer que foi mandada embora do emprego pela quarta vez. Quando investigo, percebo que todas foram da mesma forma, em virtude de um mesmo comportamento. Pessoas que vão à falência pela terceira vez; não dá outra: repetiu tudo igualzinho, todas as vezes. Brigas com pessoas próximas: hora com um amigo, hora com outro. Repetição, novamente. Uma pessoa que se frustra constantemente nos relacionamentos íntimos, pode verificar: há algo que ela repete. O duro é identificar os erros, ter humildade para aceitá-los e disposição para mudar. Aí, podemos falar que, quase sempre com esforço, ocorre a elaboração e, não mais, a repetição. Pode até ser que a pessoa volte a errar. No entanto, por novos erros e não simplesmente, por repetir. É aí que a pessoa cresce, amadurece e reinventa constantemente a sua própria história. Portanto, muita atenção às repetições!

* Um texto de Freud, que colabora com a leitura deste breve artigo é o “Recordar, Repetir e Elaborar”.

Um abraço fraterno,

Douglas Amorim

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Excesso de cobrança envenena as relações

O tema dessa semana é, de certa forma, um pouco espinhoso. Quando podemos cobrar as coisas, principalmente de pessoas próximas, do ponto de vista afetivo? Em última análise, refiro-me a mãe, pai, filhos (as), irmãos (ãs), marido, esposa, namorado (a) e, porque não, pacientes. A idéia central é refletir sobre o quanto cobramos destas pessoas, sem que, muitas vezes, elas tenham condições de nos dar o que desejamos. Assim, tornamo-nos algozes dos outros, além de não conseguirmos atingir o nosso objetivo. Veja só: como cobrar de uma pessoa a leitura de um livro se ela sequer foi alfabetizada? Pois é assim que ocorre frequentemente nas relações com as pessoas que nos são mais caras. É com elas que acontece grande parte de nossos conflitos do dia a dia, isso, por motivos óbvios. Pensemos na física: quanto maior a superfície de contato, maior o atrito. É exatamente dessa forma que ocorre em termos psicológicos. E, um dos atritos mais constantes, é a cobrança. Como cobrar de alguém, algo que ele não tem para dar? Realmente, o assunto é complexo. E, por esse motivo, vou citar um pensamento de Charles Chaplin que me fez refletir e produzir o artigo de hoje: "Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é... Respeito". Fiz questão de destacar o fato de não ser o momento, ou da pessoa não estar preparada porque, pode ser, que nunca o esteja; que o momento nunca chegue. Dessa maneira, começamos a entender que o outro tem limitações tanto quanto nós. E o que Chaplin intitulou como respeito, serve nas duas direções: uma, na de não exigir descabidamente que a outra pessoa dê conta de determinadas coisas; outra que, a partir desta consciência, não há desgaste e nem se irritação com as limitações do outro. É um raciocínio preventivo. Quanto mais íntima for a outra pessoa, maior a possibilidade de saber até onde ela consegue ir. Se o seu desejo suplantar a capacidade dela, o ideal é procurar outra via para realizá-lo.
Um abraço fraterno,
Douglas Amorim

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Qual a receita correta após o término de uma relação?

O título deste artigo é uma pergunta frequentemente presente em meu trabalho. Diariamente, em minha prática clínica, deparo-me com pessoas recém saídas de uma relação, muitas vezes, perdidas. Se ela era de longa data, então, nem se fala. Também vejo, pasmo, as mais variadas "receitas" proferidas por amigos e familiares. Escuta-se de tudo: agora é hora de você cair na gandaia, agora é hora de arrumar outra pessoa para substituir a antiga, agora é hora de procurar um psiquiatra para tomar remédios e não ficar triste, agora é hora de de não ficar em casa de jeito nenhum, agora é hora de fazer uma longa viagem para se desconectar e esquecer de tudo e de todos, agora não é hora de se envolver, não se pode namorar imediatamente após o término de uma relação etc... Pode ter certeza de que existem mais "conselhos" ainda. Entretanto, não vou me ater a isso. Até entendo que amigos e parentes, por terem um envolvimento afetivo com a pessoa recém-terminada, tentam ajudar da melhor maneira possível. E isso, na nossa cultura, quase sempre vem em forma de conselho, de receita. Também percebo que as pessoas nessas situações recorrem a mim desejando o mesmo; ou seja, querem saber caminho correto a ser seguido. Descobri, tanto por experiências pessoais quanto por constatações clínicas, que o caminho certo não existe. Inclusive, porque já vi todos os conselhos descritos acima dando certo para uns (umas) e errado para outros (as). Aprendi que não existe uma receita do ponto de vista objetivo: fazer isso ou aquilo. Agora, em termos subjetivos, descobri que existe uma que vale a pena e que, frequentemente, dá certo. Chama-se auto-respeito. Em útima análise, o que estou tentando dizer com isso é que, objetivamente, não existe o certo. Existe o saudável. Se você está passando por um momento como este e quiser sair, saia. Quer paquerar, paquere. Quer ficar dentro de casa um pouco mais recolhido, fique, pelo tempo que achar necessário. Se sair, conhecer alguém legal e quiser investir, invista (desde que esteja claro que não é por carência e nem pelo medo de ficar sozinho [a]). Respeitando o seu desejo e agindo de acordo com ele, sem forçar a barra para fazer o que as pessoas dizem que é o correto, é bem provável que você supere essa fase com mais tranquilidade.
Um abraço fraterno,
Douglas Amorim

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Medo - Ter ou não ter?

O assunto medo é tema recorrente aqui no consultório. Ele aparece nas mais variadas formas. Medo de apresentar trabalhos em público, medo de provas, medo andar de carro, medo de errar, medo de arriscar... Em sua versão mais intensa o medo se transforma em fobia. De acordo com o DSM-IV - Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - Na fobia "o indivíduo experimenta um medo acentuado, persistente e excessivo ou irracional na presença ou previsão do encontro com determinado objeto ou situação". O medo pode tornar-se tão forte em determinadas circunstâncias, que sintomas físicos muito desagradáveis podem surgir, tais como palpitações cardíacas, tremores, sudorese, desconfortos abdominais, entre outros. Geralmente eles surgem no momento em que a pessoa entra em contato com a situação ou objeto que causem medo. E agora? Como lidar com isso? Pelo que tenho acompanhado aqui na minha prática clínica, as pessoas fazem o inverso do que eu acredito ser o mais saudável. Elas simplesmente querem parar de ter medo. Querem comandar o sentimento. Ao que tudo indica, querer mandar nesse sentimento não funciona muito bem. Eu tenho sugerido outras vias que têm dado certo, pelo menos para grande parte das pessoas. Para exemplificar, vou citar um caso que atendi certa vez, alterando o nome, é claro. Fernanda era uma estudante universitária que tinha uma enorme dificuldade de apresentar trabalhos para os colegas. Ou seja, na situação citada, ela desencadeava todos os sintomas físicos descritos acima, além de sentir forte ansiedade. A minha sugestão foi simples: não querer deixar de ter medo. Expliquei para ela que o medo é um sentimento normal perante certas circunstâncias. Situações de avaliação são bons exemplos. A idéia, portanto, não seria deixar te ter medo, mas, sim, tentar fazer a coisa apesar do medo. É já saber que ficará com medo e que irá "partir pra cima", mesmo já tendo a certeza de sua ocorrência. Com isso, o medo passou a não mais ser um "intruso na festa", mas alguém "convidado". Em outras palavras, alguém esperado. Sendo assim, não haveria surpresas. Mas como fazer isso, morrendo de medo? Aí veio a segunda sugestão: prepare bem a sua apresentação. Faça as lâminas de power point, escreva resumos sobre o que estudou, monte esquemas e ensaie em casa. Mas não se esqueça: você sentirá medo na hora H... E assim foi feito. Segundo minha paciente, os primeiros dez minutos foram caóticos. Medo, voz trêmula, corpo amolecendo etc. Após esse tempo, a coisa foi melhorando e simplesmente sumiu. A apresentação transcorreu normalmente. Depois disso, ela foi repetindo a experiência várias vezes. O resultado final é que hoje em dia ela "briga" com as colegas para apresentar os trabalhos, porque acha que elas não são boas nisso. Claro que para que isso tudo tenha funcionado dessa forma, acima de tudo, esteve a sua vontade de enfrentar, vencer e repetir essa conduta nas situações consideradas difíceis. Ela conseguiu, e hoje, em outros desafios que aparecem em sua vida, já conta com a presença do medo como algo certo de acontecer. Desse modo, ele tornou-se menor e mais fraco. Portanto, penso que a idéia principal seja essa: não entrar numa perspectiva de querer simplesmente parar de sentir medo, mas, sim, enfrentar as dificuldades, apesar do medo.
Um abraço fraterno,
Douglas Amorim

sábado, 10 de janeiro de 2009

Felicidade Realista

Hoje, dia 10 de Janeiro de 2009, dei uma entrevista para a Rádio CBN, filiada da Rede Globo em Belo Horizonte, com a simpática e perspicaz repórter, Fabiana Arreguy. Prometi a ela e aos amigos da CBN, dispnobilizar em meu blog, o texto Felicidade Realista, de autoria de Mário Quintana. Espero que a leitura ajude a todos!
FELICIDADE REALISTA
Por: Martha Medeiros*

A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacotelouvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, sermagérrimos, sarados, irresistíveis.Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema:queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor.. não basta termos alguém com quem podemosconversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensarpequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmenteapaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentesinesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremossexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É oque dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Vocêpode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com umparceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quandose trata de amor-próprio.Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para sesentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda,buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé eum pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato,amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza,instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo ondesó quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuasdesta tal competitividade.Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com asregras, demita-se.Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça de que afelicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la irembora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e nãosentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração.Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade...


Um abraço fraterno,

Douglas Amorim

* Há tempos este texto circula na internet, como sendo de autoria de Mário Quintana. Após pesquisa minuciosa, descobri que o mesmo se trata de autoria da gaúcha Martha Medeiros. Fica o registro para todos os apreciadores dos bons textos.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Tome posse do seu plano de vida

Acabo de concluir a leitura do livro “Quando Nietzsche Chorou”, de autoria de Irvin D. Yalom. Penso que muitos pontos poderiam ser discutidos acerca desta obra. Entretanto, nada mais me chamou a atenção do que seus pensamentos acerca de desejo, liberdade e escolhas. Em uma das discussões entre Josef Breuer (médico) e Nietzsche (filósofo), este último disse: “Não tomar posse de seu plano de vida é deixar sua existência ser um mero acidente”. É exatamente a partir desta frase, tentando relacioná-la com a tríade desejo-liberdade-escolhas, que gostaria de tecer uma pequena reflexão. Sabemos que, a cada dia que passa, a vida contemporânea oferece aos seres humanos mais e mais informações. A todo o momento, transmite-se (principalmente através da mídia), uma falsa sensação para as pessoas, de que existe uma série de caminhos para serem escolhidos, na busca da felicidade. Acredito que ela seja falsa porque, em linhas gerais, não dá, no fundo, opções de escolha. Várias academias, dietas, modelos de carro, cursos, modelos de roupa etc. Entretanto, apregoam que você tem de ser magro (a), você tem de ter um carro zero km, você tem de fazer tal curso, você tem de se vestir de tal forma e por aí vai... Será que escolhemos as coisas por nossa vontade, ou por força de uma cultura externa a nós? Será que estamos realmente livres ou, cada vez mais, reféns do que uma minoria pensa? Será que vivemos o nosso desejo, ou o desejo de alguns poucos que, sutilmente, escolhem por nós, para nós? Vivemos em uma era na qual estamos cada vez mais sendo escolhidos pelas situações, do que sendo escolhedores delas. Apesar disso, ainda podemos ser escolhedores de algumas coisas em nossa existência. As pessoas com que nos relacionamos, por exemplo e o que efetivamente queremos estudar são algumas delas. Se conseguirmos fazer essa crítica, “demitindo” de nossas vidas, pessoas que nos fazem mal, tentando uma, duas, três, ou sei lá quantas vezes, estudarmos algo que nos realize, já estaremos em um bom caminho. O que não dá, é, nas poucas vezes em que conseguimos ter autoridade sobre nosso desejo, abrirmos mão dele. Dessa forma, estaremos, de vez, assumindo, globalmente, um papel de marionetes na nossa própria existência. Assim, de acordo com Nietzsche, “sua existência passaria a ser um mero acidente”. E, cá entre nós, deixar a sua vida ser um acidente, é muito pouco, além de muito perigoso, certo? Portanto, tome posse do seu plano de vida, tome posse do seu desejo!
Um abraço fraterno,
Douglas Amorim